SEJA BEM-VINDO!!!!

SEJA BEM-VINDO!!!!
Este é um espaço dedicado à estudantes e profissionais de serviço social e também àqueles que tem interesse pelos assuntos sociais do nosso país, que acreditam e contribuem para a efetivação dos direitos de todos os cidadãos!

Seguidores

domingo, 22 de agosto de 2010

Trabalho voluntário: depende de nós


Um país melhor se constrói com voluntários. No Brasil, eles já somam 20 milhões, atuando contra a fome, na preservação de rios e matas, na defesa da educação, da paz, da ética. Que tal se engajar?

Voluntariado

Aquilo que você faz bem pode fazer bem para alguém. Muito além de um trocadilho, esse é um recado para cada cidadão pensar como se engajar na revolução que o voluntariado está promovendo no Brasil em prol do desenvolvimento econômico e social. As organizações do terceiro setor (associações de direito privado e interesse público) já são 330 mil, movimentam recursos da ordem de 3% do PIB (87 bilhões de reais) e geram 2 milhões de empregos. Nelas, cerca de 20 milhões de pessoas trabalham sem remuneração, a maioria mulheres – por exemplo, elas somam 78% das pessoas cadastradas no Riovoluntário, um centro de voluntariado no Rio de Janeiro. “Em alguns segmentos, como a prevenção da aids, praticamente todos os agentes são voluntários”, diz Luiz Carlos Merege, professor da Fundação Getulio Vargas e presidente do Instituto de Administração para o Terceiro Setor. A principal característica do voluntariado, segundo ele, é manter pessoas se relacionando com pessoas, para promovê-las como seres humanos e cidadãos. “Não vamos reinventar o mundo, mas podemos atuar sobre a realidade, alcançando resultados concretos”, diz Milú Villela, presidente do Faça Parte – Instituto Brasil Voluntário. Os resultados vão muito além do impacto individual. Para o cientista político americano Robert Putman, da Universidade Harvard, a democracia sai fortalecida. Sua tese é de que bons números aparecem à medida que ocorrem relações de confiança. Quanto maior a capacidade dos cidadãos de confiar uns nos outros, além de seus familiares, e quanto mais rica forem as possibilidades associativas, mais alto será o volume de capital social. Consequentemente, haverá cumprimento das leis e ainda uma economia mais forte e estável”, defende. 
No Brasil, o leque de atuação dos voluntários já se abre sobre educação de crianças, alfabetização de adultos, proteção dos animais, da flora, fiscalização de políticos, assistência jurídica, geração de negócios em cooperativas, promoção da ética, ciência e cultura... Tudo começou há quase 500 anos: “O voluntariado existe desde a criação da Santa Casa de Misericórdia, em Santos, em 1543”, lembra Anísia Villas Boas Sukadolnik, diretora do Centro de Voluntariado de São Paulo, que faz ponte entre os interessados em trabalhar e as instituições que precisam de mão de obra. Mas foi apenas na década de 1990 que per deu o caráter assistencialista, com a atuação do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Ele lançou uma ação contra a fome mostrando que a solidariedade era o caminho para conferir cidadania aos excluídos e uma forma de reduzir a pobreza.
Em 1998, a legislação brasileira avançou no sentido de regular esse tipo de trabalho: a Lei do Voluntariado estabeleceu regras para a participação sem remuneração ou vínculo trabalhista. Um ano depois, veio a Lei do Terceiro Setor, reconhecendo a existência do que chamamos de Organizações Não Governamentais, as ONGs, até então ignoradas pelo direito civil – e elas passaram a ser consideradas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips). Na prática, significa que não podem ter fins lucrativos, precisam ser compe tentes e ter administração transparente. Outro marco foi o Ano Internacional do Voluntariado, em 2001. O tema esteve na mídia, mobilizou os brasileiros”, diz Milú. Voluntariado virou item no currículo. “Empresas valorizam quem trabalha em equipe e não mede esforços em nome de uma causa”, afirma Anísia.
Uma nova lei, de novembro, pode ajudar ainda mais. Ela determina que, para ser parceira do Estado e receber dinheiro público, a entidade deve obter o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social dos ministérios da Educação, Saúde ou do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A associação fica isenta de tributos previdenciários se aplicar o valor do imposto nas ações sociais. Para o advogado Marcos Biasioli, que assessora ONGs, a lei é garantia para o voluntário, pois dá status de qualidade ao grupo: “Se o Estado reconheceu a ONG, por meio de instrumentos contábeis e medidores sociais, é sinal de que o cidadão pode, guarda das as exceções, se engajar”.
Mas ainda há muito por fazer. Vejamos os números dos Estados Unidos, onde 110 milhões de voluntários movimentam 13% do PIB (1,7 trilhão de dólares por ano). Essa realidade é, em parte, influenciada pelas culturas protestante e judaica, que incentivam o cidadão a devolver à sociedade uma parcela da riqueza e dos conhecimentos que acumulou. Além disso, o país cobra um imposto de 50% sobre a transmissão de herança. Logo, o homem mais rico do mundo, Bill Gates, em
vez de deixar para o fisco, preferiu doar 28 bilhões de dólares de sua fortuna (avaliada em 50 bilhões) à fundação que leva seu nome e da mulher, Melinda, e que financia escolas e pesquisas sobre doenças.
No Brasil, os donos das grandes fortunas que doam dinheiro pessoal para projetos sociais não passam de dez, segundo o Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife). O principal motivo é a falta de incentivos (como redução de impostos) para investimentos de pessoas físicas. Já as suas empresas têm o direito de deduzir as doações – mas não podem superar 2% do lucro.
A desorganização de boa parte das entidades tam bém afugenta doadores. Quando a contabilidade não é transparente e os orçamentos deixam a desejar, a imagem pública sai prejudicada. Nesse quesito, os cidadãos que têm traquejo com administração e matemática financeira podem colaborar. Quem ajuda ganha sempre, garantem os voluntários. Como você confere nos depoimentos destas brasileiras que encontraram a realização pessoal ao abrir a agenda para o outro.

Mães de UTI

Voluntariado
Ana Paula: Quero dar às mães as orientações que não tive”
Ana Paula Moreira Picini, 33 anos, queria evitar que outras mães sofressem. Em 2004, seu filho Leonardo nasceu prematuro e ficou dois meses na UTI da Santa Casa de Misericórdia, em Sorocaba (SP). “Ninguém imagina o que é ter uma criança e não poder levar para casa”, afirma. Ela não arredou pé do local, companhando tudo com os olhos. “Um dia, pedi para pegar meu bebê, mas a enfermeira disse que não podia. Não havia contra indicação, ela negou porque ia alterar a sua rotina.” Um ano depois de o filho deixar a UTI, Ana escreveu uma carta relatando sua experiência à equipe. “As enfermeiras revelaram jamais ter pensado na situação sob o ponto de vista da mãe”, diz. Convidada a fazer seu relato num evento no hospital, Ana descobriu que não estava sozinha. O Instituto Abrace(www.institutoabrace.org.br) lutava pela humanização no relacionamento com as mães de UTI. “Virei voluntária para dar as orientações que não tive e mostrar aos profissionais que não só os bebês estão internados mas aquelas mulheres também.” Além disso, o contato da mãe com o filho pode auxiliar na recuperação. “Nas visitas, falo de otimismo e conto que meu filho, com 5 anos, é uma criança saudável.” Em junho do ano passado, o Instituto distribuiu 6 mil exemplares da Cartilha das Mães de UTI em hospitais de todo país. De 2006 para cá, o site da entidade teve 100 mil acessos. O mural de mensagens, onde as mães desabafam e trocam dados, já conta com 7 mil recados. Ana se orgulha desses números e ainda comemora as amizades estabelecidas: “Encontrei amigas para a vida toda”.

Pão para quem tem fome

Voluntariado
Paloma: lições de gastronomia no lanche da creche
A jornalista Paloma Jacintho Betala, 25 anos, se orgulha de colocar um grãozinho no combate à fome no país. Ela integra o Banco de Alimentos (www.bancodealimentos.org.br), organização que ataca o desperdício de comida, recolhendo produtos em feiras, laticínios, frigoríficos, restaurantes e até com produtores rurais. Nos seus 11 anos de existência, o banco já arrecadou mais de 3 mil toneladas de alimentos que iriam para o lixo – embora com boas condições para o consumo. De manhã, no local de doação, equipes fazem a avaliação do produto, que é reembalado e levado até as entidades cadastradas. Só no ano passado, 545 toneladas foram entregues a 51 instituições, saciando a fome de 22 087 pessoas. A parte que cabe a Paloma é ministrar cursos sobre armazenamento de alimentos, para evitar contaminação, e formas de aproveitá-los em receitas nutritivas. “Faço pós-graduação em gastronomia e repasso o que aprendo para funcionários de creches, asilos e escolas públicas”, conta a jornalista. “Nunca imaginei que pudesse ensinar alguma coisa a alguém. É incrível ver aquelas senhoras, que vieram da periferia de São Paulo, prestando atenção no que eu falo. Elas voltam e fazem, por exemplo, um bolo para alegrar 200 crianças.” Paloma não tem contato com os beneficiados, mas afirma: “Fico feliz em saber que sou um elo da corrente, uma ferramenta do banco”. Já a convivência com as alunas se configura numa troca: “A experiência de vida que elas me trazem é enriquecedora”.

Defesa de encarceradas

Voluntariado
Sonia: “Pessoas que furtam comida precisam ficar presas?”
Partilhar os seus conhecimentos na área do direito foi o que levou a advogada Sonia Arrojo Drigo, 57 anos, a atender a um pedido da Pastoral Carcerária, em 2004, para defender Maria Aparecida de Matos, detida ao furtar um xampu e um condicionador. “O episódio virou referência de abuso de autoridade”, recorda. Sonia libertou Maria e mudou o modo como é visto o pequeno delito. “Pessoas que furtam comida ou produtos de higiene precisam ficar presas?”, indagava. Outros 400 casos surgiram no escritório da criminalista, que se ligou ao Grupo de Estudos e Trabalho – Mulheres Encarceradas, em São Paulo. Sonia não faz distinção entre clientes que pagam e detentas pobres. “Todos têm direito a uma defesa competente e a um julgamento justo – o que me dá a certeza de que estou do lado certo”, diz. “Além disso, restaurar a liberdade dessas mulheres pode ser o primeiro passo para mudarem de vida.”

História para crianças
Voluntariado
Marta, no hospital: “Os pacientes precisam de mim”


Duas horas por semana, a administradora de empresas Marta Lúcia Paro Guerra, 54 anos, conta histórias na Maternidade e Hospital da Criança, em São Paulo. Ela par ticipa da Associação Viva e Deixe Viver(www.vivaedeixeviver.org.br). Marta senta ao lado de garotos que estão em estado grave ou com doenças incuráveis e abre um livro. “Em resposta, eles abrem aquele sorriso, e a contadora de histórias começa a mudar por dentro”, revela. “Como sou ligada no 220, ainda aprendi a me acalmar, a ouvir o outro, a perceber do que ele está precisando. Melhorei com a família e tomei consciência do presente.” Num hospital – ela pondera –, tudo muda rápido. “Então, tem que fazer o bem já. Por causa disso, curto mais o hoje” , diz. Nem sempre foi assim. Marta cogitou abandonar o voluntariado. “Durante três anos, li histórias para um menino na UTI”, lembra. “Ele piorou e morreu. Foi duro, eu havia criado um vínculo.” Mas repensou: “Como ele, milhares de crianças precisam de mim”. Marta não deixou o hospital, apenas evitou a UTI até a tristeza passar. Se parasse, me acovardaria”, relata. Criada em 1997, a Viva e Deixe Viver atua em nove estados e já levou conforto a 290 mil crianças em 71 hospitais. Em 2006, uma pesquisa feita na Santa Casa avaliou o efeito da contação de histórias no tratamento de crianças com câncer: 66% delas tiveram melhora no humor e no estado emocional. A interação com médicos e acompanhantes melhorou em 46% . Dos pacientes apáticos, 60% passaram a caminhar e a brincar. Ainda bem que Marta Guerra não desistiu da missão.
Para empregar seu talento
Se você quer ser voluntário e vive no estado de São Paulo, entre no site www.voluntariado.org.br e digite o CEP de casa para localizar as entidades próximas. Escolha a área (saúde, educação, assistência social...) e o público ou assunto (criança, idoso, pessoa com deficiência, fauna, flora...). Se mora fora, clique em “Outros centros no Brasil”. Para não ser vítima da “pilantropia”, certifique-se de que a organização é idônea. Infelizmente, existem pessoas que usam ONGs como fachada para negócios ilícitos. Escolhida a entidade, visite o site e vá até lá. Em geral, os grupos sérios fixam a missão à vista de todos. Não se acanhe de fazer as perguntas: como funciona a organização? De onde vem o dinheiro que a sustenta? Ela passa por fiscalizações e auditorias? Verifique, ainda, se os dirigentes conhecem as leis que orientam o terceiro setor. Caso contrário, caia fora. Faça nova busca e tenha em mente que esse trabalho exige compromisso. É preciso respeitar horários, cumprir obrigações e prestar contas do que faz.


Fonte:http://claudia.abril.com.br/

Nenhum comentário:

Postar um comentário