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sábado, 9 de outubro de 2010

Crack, é preciso cuidar das crianças!















Por Elane Varjão*
Estamos vivenciado um quadro triste, aterrorizador e deprimente que é a situação das crianças e jovens usuários de crack. Os meios de comunicação publicam matérias diárias sobre o assunto e já intitularam o fenômeno como uma verdadeira epidemia do crack.
Nunca se ouviu falar tanto desta questão social de extrema relevância. As reportagens têm enfocado sobre a triste rotina dos usuários, mas, também, o desespero e sofrimento dos familiares que se sentem impotentes diante do crack, uma droga devastadora que causa um alto nível de dependência química. As campanhas publicitárias têm alertado sobre a questão, algumas são interessantes porque apontam para a recuperação, outras são desestimulantes.
Ao assistir uma entrevista com uma especialista da área sobre os efeitos nocivos do crack e das drogas para a sociedade, a mesma foi enfática e verdadeira: “a cocaína alimenta uma cadeia altamente produtiva que gera milhões de dólares”, e continuou: “ talvez, o segmento economicamente mais rentável depois da indústria de armamento bélico seja o comércio e tráfico de drogas, especialmente a cocaína”.
Se a cocaína faz um grande mal à sociedade, o crack só destrói a vida de quem a consome, pois sendo uma droga mais barata atinge, principalmente, as crianças e jovens que se encontram nas ruas e que vêem na droga a fuga ou refúgio dos seus problemas.
Não desejo fazer um terrorismo, nem demonializar as drogas como sendo o único problema da nossa sociedade, pelo contrário, temos questões sociais que,ao que me parece, podem estar mascarando as verdadeiras causas que levam a nossa juventude ao consumo desenfreado de entorpecentes.
Há diversas pessoas que defendem veementemente que as drogas aumentam consideravelmente os índices de violência nos grandes centros urbanos. Mas, se concebermos esta afirmativa, por que a Holanda, um dos países mais liberais do mundo, onde se compra drogas em cyber cafés, os índices de violência e marginalidade são baixos? Cabe aqui uma reflexão.
No meu ponto de vista, o problema é mais enraizado. Aliado ao uso e abuso de drogas que pode levar quem usa a cometer atos ilícitos de toda ordem, nós temos que enxergar o seguinte, como afirma Mário Quintana: “o segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você”. Ou seja, não estamos cuidando dos nossos jardins que são as nossas crianças e adolescentes que perambulam nos grandes centros urbanos totalmente à margem de uma sociedade tão desigual e injusta. 
Acredito que não estamos suprindo as necessidades básicas e os direitos preconizados no Estatuto da Criança e do Adolescente. Como poderemos ter cidadãos de bem, se não oferecemos de forma regular, e em condições de igualdade, educação, saúde, moradia digna, assistência familiar e social a estes seres, futuros cidadãos do amanhã?
Se estamos deixando crianças e jovens abandonados, se o Estado não cumpre o seu papel de guardião dos direitos da criança e do adolescente, se as famílias estão desestruturadas, se os pais não cuidam dos seus filhos e não tem condições de prover as condições mínimas de sobrevivência, fica realmente difícil que as borboletas freqüentem os nossos jardins, ou seja que estes jovens tornem-se adultos saudáveis e equilibrados.
Sem família estruturada, sem educação de qualidade nas escolas, sem carinho, sem amor, estaremos cada vez mais empurrando nossas crianças e jovens para o mundo cruel das drogas e da marginalidade.
Mais do que criar Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS), os quais, acredito, são fundamentais para a minimização da redução de danos para quem faz uso e abuso das drogas e que são importantes para combater o problema instalado, defendo maiores investimentos em educação e assistência integral para as nossas crianças, através da implementação de políticas públicas eficazes que os tirem das ruas. Acredito em políticas e programas que combatam as causas e não os efeitos.

*Elane Ângela Varjão Guimarães é Assistente Social e Publicitária.
Texto publicado em  http://deolhonosocial.blogspot.com em 05/10/10 

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