SEJA BEM-VINDO!!!!

SEJA BEM-VINDO!!!!
Este é um espaço dedicado à estudantes e profissionais de serviço social e também àqueles que tem interesse pelos assuntos sociais do nosso país, que acreditam e contribuem para a efetivação dos direitos de todos os cidadãos!

Seguidores

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A escalada do vício: do ritual de passagem ao uso recreacional e à dependência

Droga psicoativa ou substância psicotrópica é a substância química que age principalmente no sistema nervoso central, onde altera a função cerebral e temporariamente muda a percepção, o humor, o comportamento e a consciência. Essa alteração pode ser requerida para fim recreacional (alteração proposital da consciência), rituais ou espirituais (uso enteógeno ou enteogénico, Daime, DMT, etc.), científicos (funcionamento da mente) ou médico-farmacológico (como medicação).

progressão do uso de substância é vista como um aumento no consumo ou aumento dos problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
Freqüentemente, imperceptível para o usuário, a substância psicoativa assume um papel cada vez mais importante, tendo como conseqüência o aumento de problemas decorrentes do uso da substancia.

Mesmo que a experimentação inocente possa ser inofensiva para muitos, para outros serve como uma introdução ao uso recreativo de drogas.
Embora tenhamos observado casos em que os indivíduos estabelecem uma relação problemática quase instantânea com álcool ou outras substâncias psicoativas, a progressão para um transtorno por uso de substância  geralmente acontece em três etapas.
Como veremos adiante, cada estágio é totalmente independente do seu estágio seguinte.
Mas não poderíamos prosseguir sem nos perguntarmos:
  1. O que separa um estágio do próximo?
    Por exemplo, o que separa o uso experimental do uso recreacional?
  2. O uso de uma substância pela segunda vez significa que o usuário/experimentador passou de experimental para recreativo?
  3. Se eu fumar maconha hoje e novamente fumar maconha amanhã, isso me "promoveria" de experimentador a usuário recreacional?
  4. Será que faltar apenas um dia de trabalho, em conseqüência do uso de substancias, poderia ser considerado uma conseqüência do uso de drogas? Nesse caso, seria um indicador de abuso de substancias?
  5. E se eu deixasse de comparecer ao trabalho várias vezes? Seria um indicador de abuso ou dependência?
  6. Ou talvez... dirigir sob efeito de álcool e outras substâncias me colocaria na categoria "usuário recreacional" ou "usuário dependente"?
Como vimos, nas perguntas acima, o limite entre uso experimental, uso recreativo e uso abusivo é muito tenue e só pode ser percebido quando o usuário ultrapassa o estágio anterior.
A progressão do uso de substancias, ou escalada como alguns dizem, não é um processo inevitável e nem sempre é previsível, mas quando o usuário atinge a próxima fase, é como se fosse previsível.

O termo "Escalada" refere-se ao envolvimento progressivo com drogas, dividindo-se em:

  1. Escalada qualitativa:
    passagem de um consumo de drogas "leves" para o uso de drogas "pesadas".
  2. Escalada quantitativa:
    passagem de um consumo ocasional a um consumo intenso, contínuo ou crônico.

 É mais comum o usuário entrar em uma escalada quantitativa - única droga de forma mais freqüente, também pode passar a misturar várias drogas, à procura de efeitos permanentes ou mais fortes, porem a grande maioria dos usuários não entra em escalada.
 Inicialmente, o uso de substâncias psicoativas é por motivo médico ou experimental.
A progressão a transtorno por uso de substância:
Fase um: O uso experimental, geralmente ocorre na pré-adolescência, época em que qualquer consumo de substância psicoativa pode sair do controle. Porem, nos Estados Unidos a epidemia de cocaína na década de 1980 desafiou esta regra e indivíduos na faixa etária de 21-35 anos representaram uma grande parcela de novos usuários durante toda década de 80, principalmente após surgir à cocaína em sua forma fumada (conhecida como crack). Ainda assim, nem todos os usuários progrediram de uso experimental ao uso recreacional.
Fase dois: O uso recreacional de álcool e outras drogas, não conduz necessariamente a padrões problemáticos de utilização. Por exemplo, a maioria da população, faz uso da droga álcool e/ou nicotina, sem uma evidente progressão a outras drogas ou sem graves incidentes. Logo se entende que o uso recreativo da droga "álcool" ou "nicotina" não catapulta o usuário a dependência do mesmo (pelo menos não imediatamente)

Fase três: O uso de substâncias é considerado um "transtorno" ou "uso de maneira problemática" quando o individuo se enquadra nos critérios para:
  • Abuso de substância
  • Dependência Química

Quando por determinação médica, e também como uma medida judicial de proteção, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, todo menor que represente uma ameaça para si mesmo e para terceiros deve ser imediatamente internado (art. 101, inc. V e VI, ECA).
A inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos é também medida aplicável aos pais (art. 129, inc. II e 136, inc. II, ECA). É um direito assegurado pela constituição!
  Para mais informações, acesse o artigo: Internação compulsória para tratamento de alcoólatras e dependentes químicos de autoria do promotor Raul de Mello Franco Júnior.


Quando o início do uso da substância é experimental, a substância é usada inicialmente por curiosidade ou pelo seu efeito sobre o humor. A pessoa que experimenta a substância avalia os seus efeitos. Se a substância não é considerada agradável ou os efeitos não são benéficos, conforme a expectativa do experimentador, o uso/continuidade da substância é susceptível de ser interrompido. No entanto, se o efeito experimentado é considerado gratificante, o uso pode ser continuado, evoluindo de uso experimental ao uso recreacional.
A decisão de interromper ou continuar usando a substância é baseado em uma variedade de fatores psicológicos, sociais, fisiológicos e, talvez, os fatores espirituais, tais como crenças anteriores ou falta de compreensão sobre o perigo das drogas ou ainda, experiências passadas com uso de outras substâncias.

Por que os adolescentes experimentam substâncias?

Os adolescentes fumam por pressão dos iguais, por curiosidade, por imitação, como manifestação de independência, rebelião, ou com a intenção de fazer uma “figura importante”.
As empresas produtoras de cigarros, na busca de fumantes “substitutos” (dos adultos que deixam de fumar ou morrem devido a complicações do fumo), conhecem as motivações e estimulam o uso através de modelos juvenis atraentes em ações e paisagens excitantes.
Consomem álcool porque “todo mundo bebe”, “eu gosto, é divertido”, “ajuda-me a relaxar”, “tira-me a timidez”, “estou mal, serve- me para escapar do sofrimento”, “por que não, além do mais nem bebo tanto”.
Os adolescentes que experimentam drogas dão razões similares às descritas para o fumo e para o álcool: pressão dos companheiros, uso por parte dos familiares (habitualmente irmãos mais velhos), estresse, aborrecimento, rebelião, ansiedade, depressão e redução da auto-estima. O uso do fumo e do álcool em geral precede à experimentação com drogas.
Apesar do bombardeio de informações a respeito do perigo do fumo, do álcool e das drogas, nenhum adolescente fica imune à influência social e ao fácil acesso. Isto é especialmente efetivo no caso de 
os pais fumarem  ou beberem em excesso ou usarem drogas.

Os pais e demais adultos habitualmente supõem que o abuso seja de heroína, cocaína e outras drogas “fortes”. De fato, tais drogas são danosas, mas o uso é muito raro, entre os adolescentes, comparado ao de outras substâncias, também prejudiciais, como o fumo, o álcool e a maconha. O fumo, a longo prazo, é responsável por maior número de doenças e perda de anos de vida do que todas as demais drogas somadas. O álcool encontra-se implicado em mais da metade das mortes de jovens em acidentes automobilísticos. A maconha interfere na memória e na aprendizagem.
O fumo, o álcool e as drogas ilícitas devem, portanto, ser considerados de risco e, potencialmente, substâncias de abuso.
É muito difícil diferenciar a experimentação do uso freqüente, do abuso e da adição ou farmacodependência, mas é possível fazer algumas generalizações:
  1. quanto mais cedo um adolescente inicia o uso de uma substância, maior é a probabilidade do aumento na quantidade e na variedade do uso;
  2. os adolescentes são comumente menos capazes de limitar o uso do que os adultos;
  3. a experiência hoje é muito diferente do passado: o número de experimentadores é maior, surgem novas substâncias e combinações cuja sintomatologia se confunde. Além disso, as substâncias conhecidas são diferentes; por exemplo, a maconha nos anos 70 continha menos de 0,2% de THC ( Delta 9 – tetrahidro – canabinol) e 20 anos após contém uma média de 6%, chegando a 14%;
  4. o uso ilegal constitui um delito;
  5. o jovem atribui à droga a solução de todos os seus problemas;
  6. no início do não há sinais e sintomas que os levem à consulta, eles aparecem como conseqüência do abuso e da dependência. Por isso, no começo é difícil que aceitem ajuda;
  7. quando há sintomas, o trabalho de reabilitação é difícil e frustrante, sendo baixo o índice de recuperação nos diferentes programas que trabalham com adictos;
  8. os resultados de levantamentos  revelam objetivamente que estamos frente a uma doença grave, e a única forma de não adquiri-la é a prevenção.

Os sinais e sintomas que sugerem o abuso de substâncias são:

  1. Bronquite recorrente, tosse crônica, halitose, rinorréia, epistaxes, sinusite, olhos congestionados;
  2. Hematomas e lesões cutâneas, marcas de agulhas endovenosas;
  3. Hipertensão arterial, taquicardia, dor pré-cordial;
  4. Dor abdominal, perda de peso, anorexia, náuseas e vômitos, hepatomegalia, úlceras digestivas;
  5. Debilidade, hipotonia, perda de forças, transtornos do sono;
  6. Perda de memória, falta de atenção, irritabilidade, tremores;
  7. Desorientação, confusão mental, perda do bom senso, alucinações, depressão, tentativa de suicídio;
  8. Infecção com o HIV ou hepatite-b por agulhas contaminadas ou atividade sexual.

Para detectar as características do uso e abuso de substâncias, é importante levar em consideração os seguintes aspectos:


  • se não perguntarmos a respeito do uso de álcool, tabaco e drogas, o adolescente não dará essa informação espontaneamente;
  • a fase de curiosidade e de experimentação com alguma substância é “normal” no desenvolvimento do adolescente;
  • a história natural do consumo de substâncias de primeira linha é aumentar seu uso, em seguida moderá-lo ou cessar (exceção para o fumo, se há história familiar, e álcool);
  • o abuso sempre ocorre dentro de um contexto de problemas de comportamento ou de doença psiquiátrica (depressão, distúrbio obsessivo-compulsivo, síndrome do déficit de atenção e distúrbios de conduta);
  • a morbidade e a mortalidade associadas ao uso de álcool e drogas são, fundamentalmente, mais devidas às condutas de alto risco, acidentes, homicídio e suicídio, do que pelas drogas propriamente ditas;
  • quanto mais sério o problema do álcool e das drogas, maior será a tendência de o adolescente sonegar, tornando-se essencial obter informações da família e da escola;
  • os adolescentes que abusam, habitualmente, usam múltiplas substâncias;
  • passados os anos da adolescência e juventude sem o hábito de fumar e sem o uso de substâncias, muito menor é a probabilidade de uso futuro.
Muitos jovens ficam indignados que seja perfeitamente aceitável o uso do álcool e do fumo pelos adultos, ao mesmo tempo em que se condena o uso de maconha por parte deles. Argumentam que o abuso destas “substâncias legais” tem um poder destrutivo infinitamente maior sobre a saúde da população do que o das “substâncias ilegais”. Esta questão exige uma posição firme e objetiva, isto é, que o abuso de todas as drogas (inclusive o fumo e o álcool) constitui um grave problema de saúde, tanto quanto o das demais substâncias, independentemente de tratar-se de legalidade ou ilegalidade.
Se o uso é esporádico e os pais têm condições de exercer alguma supervisão, pode ser suficiente o manejo por parte deles. Isso significa impor limites ao uso de substâncias, facilitar a participação do adolescente em atividades que o interessem e que favoreçam sua auto-estima e ajudá-lo a desenvolver novas amizades, para separar-se do grupo que o induz ao uso (esta é a tarefa mais difícil).

Abuso de substâncias ou farmacodependência

Necessidade de consultoria ou encaminhamento a um profissional especializado
Se existe uso de substâncias mais perigosas: cocaína, heroína e inalantes; em idade muito precoce (antes dos 14 anos); uso prolongado ou de grandes quantidades (poliabuso); em locais ou circunstâncias inapropriadas (escola, piscina, mar, rio, dirigindo algum veículo); uso acompanhado de tolerância, dependência ou síndrome de abstinência; fracasso escolar, abandono escolar, acidentes, envolvimento com a lei e tentativa de suicídio.

Tratamento do abuso de substâncias

O primeiro passo para um tratamento efetivo é a firme insistência dos pais sobre a necessidade de seu adolescente parar de usar drogas. Pode ser útil a participação de um profissional especializado para persuadir o adolescente. A intensidade do tratamento dependerá da severidade do caso. O local de tratamento dependerá do adolescente e de sua família. Os jovens que vivem em ambiente onde predomina o abuso de álcool e drogas deverão ser afastados desse meio, beneficiando- se de programas institucionais de reabilitação (clínicas especializadas). Aqueles que vivem em condições mais estáveis e reconhecem a necessidade de tratamento podem beneficiar-se com tratamento especializado ambulatorial. Os adolescentes farmacodependentes, em especial os mais jovens, que não respondem rapidamente, deverão ser encaminhados a programas especializados.
Quando internar?
  • Abuso de drogas compulsivo
  • Desenvolvimento anormal das atividades educacionais e sociais e na esfera vocacional e legal
  • Perigo iminente para a saúde mental ou física do paciente
  • Conduta anti-social persistente
  • Fracasso do tratamento ambulatorial
  • Alterações psicopatológicas que requerem controle da conduta e/ou medicação
  • Com contenção familiar e residência próxima, tratamento em Hospital-Dia. Sem estas condições, em Comunidade Terapêutica.

Prevenção

         10 Regras para os pais:
  1. Estabelecer um consenso familiar sobre o uso de substâncias: as regras devem ser comunicadas antes da puberdade. As crianças devem saber que seus pais esperam que na adolescência não fumem, não bebam, não usem maconha e outras drogas. Cada família deve estabelecer suas próprias regras, que devem ser repetidas com freqüência.
  1. Estabelecer penalidades pelo não-cumprimento das regras: as punições não precisam ser nem repressivas, nem excessivas e devem ser anunciadas previamente e mantidas de forma consistente. Pode ser útil estabelecê-las com a participação dos filhos, no começo de sua adolescência. Exemplos: perda de privilégios, restrição ao uso do telefone, “proibição de sair de casa”, etc.
  1. Dedicar algum tempo diário para conversar com os filhos a respeito do que está se passando em suas vidas, como se sentem e o que pensam. Deve-se deixá-los falar livremente, não é necessário ter respostas, mas escutá-los atentamente, respeitando suas experiências e sentimentos.
  2. Ajudar os filhos a definirem objetivos pessoais: essas metas podem ser acadêmicas, esportivas e sociais. É importante ensinar os filhos a tolerar seus inevitáveis fracassos, que são oportunidades para crescer e não para desanimar.
  1. Conhecer os amigos dos filhos: conhecer também os pais, encontrar-se com eles e compartilhar conhecimentos.
  1. Ajudar os filhos a sentirem-se bem com suas próprias qualidades e com seus pequenos ou grandes êxitos: isto significa entusiasmar-se pelo que gostam.
  1. Deve haver um sistema estabelecido para a resolução de conflitos: nem sempre os filhos estão de acordo com todos os regulamentos da casa. A melhor maneira de manter a autoridade é estar aberto aos questionamentos dos filhos. Um recurso útil é incluir a consultoria com uma pessoa respeitada por todos (outro membro da família, um médico, um vizinho, etc.).
  1. Falar freqüentemente e muito cedo com os filhos a respeito de seu futuro: os filhos devem saber que o tempo que viverão com seus pais é limitado, pois se tornarão adultos, sairão de casa e, neste momento, deverão pagar suas contas e estabelecer suas regras. Enquanto estiverem na casa dos pais precisarão aceitar sua autoridade.
  1. Deve-se desfrutar dos filhos: uma das maiores felicidades da vida é ter os filhos em casa. Tanto os pais quanto os filhos devem trabalhar para que o lar seja um ambiente positivo para todos. Isso significa trabalho de equipe e respeito mútuo.
  1. Ser um pai/mãe “intrometido/a”: é importante fazer perguntas aos filhos, onde e com quem estão. Esta informação é necessária para que sejam pais efetivos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário