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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Para a Anistia Internacional, Brasil precisa aliar crescimento ao enfrentamento de problemas sociais




"O Brasil deve proveitar a “chance histórica” de aliar o forte crescimento econômico e a estabilidade política ao enfrentamento do legado de desigualdade, discriminação e violações de direitos humanos dos cidadãos mais pobres".
Essas foram as palavras do secretário-geral da organização não governamental (ONG) Anistia Internacional, Salil Shetty. Segundo ele, essas ações farão do Brasil um país desenvolvido.

 Segundo Shetty, é fundamental que o próximo governo se comprometa com a demarcação de terras indígenas e com a reforma agrária e que garanta a segurança dos grupos que lutam pelo acesso à terra. “Apesar de apresentar claras oportunidades, o forte crescimento do Brasil contém alguns perigos”, disse.

O secretário lembrou que "questões já foram levantadas sobre o Programa de Crescimento Econômico (PAC), com comunidades pesqueiras e grupos indígenas sendo ameaçadas de expulsão e ativistas ambientais sendo alvos de ataques. A modernização da infraestrutura é essencial, mas se o Brasil quer realizar seu grande potencial, isso não pode ser conseguido às custas dos direitos humanos”.


Shetty assumiu a direção da ONG de defesa dos direitos humanos em julho deste ano, depois de ter sido, por quase sete anos, diretor da Campanha do Milênio das Nações Unidas, para a redução da pobreza no mundo.

“Uma agenda doméstica clara, de respeito aos direitos humanos fundamentais para todos os cidadãos brasileiros, pode se traduzir no país tendo um papel de liderança internacional, promovendo os direitos humanos globalmente ao contribuir com suas experiências únicas como uma economia emergente num mundo em rápida transformação”, afirmou Shetty.

O representante da Anistia Internacional acrescentou que “o novo governo do Brasil precisa desenvolver esforços prévios para combater a desigualdade por meio de programas de transferência de renda como o Bolsa Família”.


Para Shetty, o próximo governo deve fazer ainda mais. “A reforma das instituições que ainda têm a marca da era autoritária – em particular a polícia e o sistema prisional – é urgente. Apenas resolvendo a impunidade por tortura, maus-tratos e execuções sumárias por agentes do Estado é que o Brasil vai começar a resolver sua crise de segurança pública”, diz.

Segundo o secretário-geral da Anistia Internacional, as autoridades de todos os níveis – municipal, estadual e federal – devem investir pesadamente em comunidades marginalizadas, levando para elas serviços públicos, incluindo habitação, saúde, educação e policiamento “profissional e responsável”.


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Fonte: Agência Brasil

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