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domingo, 31 de julho de 2011

A perversidade do racismo

Palavra racismo escrita em branco, sobre fundo preto, dentro de um circulo vermelho, com uma linha transversal vermelha tachando a palavra.
No momento em que o IBGE divulgou sua pesquisa sobre a identidade dos brasileiros, duas outras notícias colocaram em evidência a perversidade com que na sociedade capitalista é encarada a distinção étnica e cultural entre os povos. Na Itália, a eleição da brasileira Silvia Novais como Miss Itália Nel Mondo provocou uma enxurrada de manifestações racistas na internet, postadas por direitistas partidários da supremacia branca e europeia adeptos de Adolf Hitler, que não suportam negros, árabes, judeus, imigrantes e outros seres humanos que não têm as suas origens étnicas, seus preconceitos e seus interesses.

Esta intolerância encharcou de sangue o solo de Oslo, capital da Noruega, onde um criminoso assassinou com um atentado a bomba e a tiros 76 pessoas, na maioria jovens, que estavam em um evento do Partido Trabalhista, de esquerda, que comanda o governo do país.

As referências ao Brasil, nestes dois episódios, são diretas e interligadas. As ofensas contra Silvia Novais estão ligadas à cor escura de sua pele. E o assassino de Oslo, no prolixo e insano manifesto de mais de 1.500 páginas que postou na internet para justificar seus crimes, citou explicitamente o Brasil como um exemplo dos “malefícios” da mestiçagem, causadora de corrupção, improdutividade e do choque cultural.

É preciso refletir sobre isso. A pesquisa divulgada pelo IBGE, que cumpre compromissos firmados pelo Brasil na 3º Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada na África do Sul, em 2001, tem o enorme mérito de desmentir mais uma vez as alegações racistas da direita, europeia ou não, de dar números oficiais à denúncia do racismo no Brasil, e também de ressaltar a importância e o avanço da convivência, num mesmo espaço nacional, de diferenças que compõem o amplo mosaico representado pela unidade do povo brasileiro.

Quase dois terços dos brasileiros (63,7%), diz a pesquisa, reconhecem a existência de racismo no Brasil e indicam onde ele se manifesta de maneira mais intensa e perversa: no trabalho (71%), na relação com a polícia ou a justiça (68,3%), no convívio social (65%), na escola (59,3%) e nas repartições públicas (51,3%).

É uma chaga que se perpetua; é o ovo da serpente do racismo que recusa a convivência com aparências diferenciadas e pode matar, como já ocorreu no passado, e repetiu-se em Oslo na sexta-feira. Somos os habitantes de um país encarado pelos supremacistas eurocêntricos como racialmente inferior que, nas condições atuais do mundo, faz parte do conjunto de nações que ameaçam o predomínio do “Ocidente” – isto é, de países como Estados Unidos ou daqueles que formam a União Europeia.

Talvez o maior mérito da pesquisa seja constatar que crescentemente os brasileiros assumem positivamente a miscigenação; metade dos entrevistados se autodefinem como “não brancos” (48,4%), ao lado de outra metade que se declara “branca” (incluindo minorias que se descreveram como alemãs, italianas ou “claras”). Isto é, metade da população encara-se como mestiça, usando o critério tradicional brasileiro de classificação, que é a cor da pele.

Exames de origem, baseados na análise genética, como aqueles feitos pela equipe do pesquisador Sérgio Penna, indicam uma mestiçagem maior e mais disseminada, revelando que, no Brasil, apenas um terço daqueles que se declaram “brancos” são realmente de origem europeia exclusiva. E também que os brasileiros de pele escura, mestiços, trazem no DNA também os sinais de antepassados europeus. Isto é, no Brasil misturamos todas as origens, dando origem a um povo com características peculiares, nem superior nem superior aos demais povos, com suas próprias manifestações culturais múltiplas e também miscigenadas, marcas da origem diversificada de nossos formadores.

Nas relações internas, como nas que o povo brasileiro estabelece com o exterior, é necessário observar que o racismo está associado à dominação de classe e ao imperialismo neocolonialista. A superação da intolerância racista e o estabelecimento de relações fraternas no seio do povo e entre povos são objetivos associados à luta pela conquista de uma nova sociedade e um novo padrão civilizacional.

Nova lei reforça a proteção de idosos contra a violência

Menina e idoso sorrindo
A presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou nesta quarta-feira (27) decreto que altera a Lei 10.741 e determina a notificação compulsória dos atos de violência praticados contra idosos atendidos em estabelecimentos públicos ou privados. A medida também recebeu a assinatura da ministra Maria do Rosário, chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), e do ministro Alexandre Padilha (Saúde).

O novo texto transfere a responsabilidade dos profissionais de saúde para as instituições prestadoras de serviço e acrescenta um parágrafo que define os atos de violência contra o idoso como “qualquer ação ou omissão praticada em local público ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico”.

Para a ministra Maria do Rosário, trata-se de um avanço para o setor. “Essa lei significa um avanço na proteção dos idosos. Tanto a responsabilização dos serviços de saúde quanto a tipificação da violência contra as pessoas idosas facilitarão as notificações dessas agressões, o que nos ajudará a planejar e implementar políticas públicas para este segmento da população, que cresce rapidamente em nosso país. Estimativas do IBGE para os próximos 30 anos indicam que a população idosa vai ultrapassar 50 milhões de pessoas, alcançando cerca de 28% da população”, avalia.

A ministra comenta ainda que a nova lei chega em momento oportuno. “A medida, inclusive, vem em boa hora, visto que no final do ano realizaremos a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, ocasião em que representantes da sociedade civil e de governos municipais, estaduais e federal se reunirão para traçar, em conjunto, as principais diretrizes para as pessoas idosas”, afirma Maria do Rosário.

Dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100), coordenado pela SDH/PR, registram um total de 3.049 denúncias de violências contra idosos em todo o país, entre janeiro e junho deste ano. O estado com maior número de denúncias é o Rio de Janeiro (429), seguido por São Paulo (395) e Bahia (310). Os estados com menor número de denúncias são Roraima (1), Amapá (3) e Acre (6).

Qualquer cidadão pode acionar o Disque Direitos Humanos, que funciona 24 horas por dia e sete dias por semana. Basta discar o número 100 de qualquer telefone, fixo ou celular. O anonimato é garantido e todas as denúncias são encaminhadas para as autoridades locais competentes.

Fonte: SDH

Cor e raça dificultam inserção no mercado

A assistente social Silvana Vieira de Oliveira, que atualmente é diretora de uma organização não-governamental (ONG) de Maringá, afirma que sofreu discriminação racial velada, quando procurava por emprego. "Muitas vezes meu currículo era compatível a de outras candidatas, mas sentia na abordagem do empregador que a cor da pele era um obstáculo para a contratação". Ela também afirma que percebia claramente a preferência por funcionários brancos em estabelecimentos como em alguns bancos e comércio varejista.
Depois de algumas tentativas frustradas, Silvana resolveu prestar concurso e por anos seguiu a carreira pública. Depois graduou-se em Serviço Social e, hoje, ocupa o cargo de diretora de uma ONG. Passado tantos anos, Silvana revela que ainda percebe a surpresa de muitas pessoas quando se deparam com uma negra em um cargo de chefia.
A dificuldade dos negros em ingressar no mercado de trabalho também foi constatada em uma pesquisa de campo, realizada pela mestranda Silmara Nascimento, do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Rafael Silva

Silvana sofreu racismo, mas conquistou
o cargo de chefia
A pesquisa abrange todos os estabelecimentos comerciais de dois shoppings da cidade, que juntos contam com 913 funcionários. Destes, apenas 109 se declararam negros, morenos ou pardos, o equivalente a 11,94% dos colaboradores. Vale lembrar que em Maringá os negros e os pardos representam quase 25% dos moradores, conforme dados do Censo 2010.

Segundo Silmara Nascimento, quando os entrevistados (funcionários) foram questionados sobre o grau de dificuldade em conseguir emprego nas lojas, considerando uma escala em que 1 significava "muito fácil" e 10 "muito difícil", o coeficiente foi de 6,69.
Empregadores
O estudo mostra que 89% dos empregadores entrevistados "concordam que todos os grupos sociais deveriam ter acesso às riquezas e aos posicionamentos políticos e reconhecem ainda que há sim uma diferenciação social que gera desigualdade pela cor/raça".
Sobre o processo de seleção, a estudante observou que 72% dos empregadores concordam que a análise apenas do currículo do candidato não basta para contratar alguém.
"Tentando identificar quais aspectos são mais relevantes aos empregadores no momento da seleção de um funcionário, verificamos que, além da análise do currículo, a desenvoltura para atuar na função e sobretudo a ‘boa aparência’ são itens relevantes, já que 84% concordam com a afirmação".
De acordo com Silmara Nascimento, a discriminação racial muitas vezes está disfarçada na ideia da ‘boa aparência’, que valoriza padrões de beleza europeus e tem no branco o ideal estético socialmente aceito.
"Todavia, sabemos que essa ideia trata-se de uma construção histórica e social, que pode e deve ser modificada por meio da ação de cada indivíduo, com o objetivo de alcançar uma real integração entre as diferentes etnias, promovendo uma sociedade mais justa e igualitária".
Durante o período em que a pesquisa de campo foi realizada (janeiro e fevereiro de 2011), a estudante afirma que percebeu uma forte resistência, tanto por parte dos funcionários quanto dos empregadores, de lidar com as questões raciais, fato este verificado em todo o País.
"O discurso preponderante está predominantemente alicerçado no mito da democracia racial, que opera sobre a noção ideológica da não existência de preconceito racial na sociedade brasileira, assim como afirma o ilustre sociólogo Florestan Fernandes (1972), não contribuindo, portanto, para uma diminuição da resistência do branco à ascensão social do negro e para uma tomada de consciência do negro de sua real situação, incentivando-o à luta por melhores condições de igualdade".
IBGE – Censo 2010
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no último dia 22 o estudo "Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça" (PCERP), com informações coletadas em 2008, em uma amostra de cerca de 15 mil domicílios, no Amazonas, Paraíba, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. Os resultados só reforçam o que já foi dito: 63,7% dos entrevistados afirmaram que a cor ou a raça influencia na vida. Entre as situações nas quais a cor ou raça têm maior influência, o trabalho aparece em primeiro lugar, seguido pela relação com a polícia/justiça, o convívio social e a escola.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dependência emocional pode colocar vida em risco

Atualmente não é incomum, ao ligarmos a TV nos noticiários, nos depararmos com notícias sobre mulheres que foram agredidas por seus companheiros, chegando ao ponto de ficarem desfiguradas e, muitas, acabam dando declarações sobre o perdão e sobre o amor. Há quem fique indignado diante de tais afirmativas e não consiga compreender como essas mulheres, mesmo após tantas agressões físicas e psicológicas, conseguem perdoar o agressor.
"Entendemos que a violência tem um ciclo. A mulher passa pela fase de lua de mel, na qual tudo está bem e ela se sente amparada, depois vem a tensão e a crise, que culminam na violência em si. Ela pensa em tomar uma atitude, o companheiro pede perdão porque se arrepende e ela acredita e retorna ao relacionamento porque espera que tudo volte a ficar bem. Vulgarmente as pessoas acham que a mulher gosta de ficar nesta situação, mas não é verdade", explicou Branca Paperete, psicóloga da Casa Eliane de Grammont, da capital paulista, que presta atendimento psicológico e de assistência social a mulheres vítimas de violências doméstica e sexual.
Em muitos casos, o que acontece também é a dependência emocional em relação ao parceiro, visto que as mulheres tendem a idealizar o relacionamento e até mesmo o companheiro, sendo difícil para elas dissociar o homem por quem se apaixonaram daquele que lhes agride. Tatiana Ades, psicanalista e especialista em relacionamentos, da capital paulista, explica que "o amor patológico, é aquele que não é saudável, no qual a codependência afetiva se torna presente e o outro se transforma no centro de nossas vidas, chamo esse processo de cegueira emocional".
"E existe toda uma educação sexista que colabora com isso", disse Branca, lembrando que muitas mulheres crescem acreditando que só serão felizes se conseguirem se casar e até mesmo os meios de comunicação acabam reproduzindo esta ideia. "Também vemos muitas mães que dizem para as filhas, vítimas de violência, que 'é assim mesmo', 'não tem jeito', 'melhor com ele', mostrando que o comportamento acaba sendo transmitido", contou a psicóloga.
A violência doméstica, infelizmente, não é um problema que acontece apenas "com o vizinho". Pesquisa divulgada pelo Instituto Avon no dia 1º  informou que seis a cada dez brasileiros conhecem uma mulher que foi vítima do problema, após ouvir 1800 brasileiros em todo o País. Andrea Jung, presidente mundial da Avon, chegou a destacar que o "medo de ser morta", que é um dos principais motivos citados pela maioria das mulheres que se mantêm conectadas ao companheiro é algo comum em outras nações e, por isso, criar hotlines para atender estas mulheres é essencial para ajudar a combater o problema.
"Leis e instrumentos de repressão não farão a mudança cultural tão necessária para que a mulher que sofre de violência doméstica seja respeitada. Só a compreensão da sociedade, de que esse é um drama caleidoscópico, de muitas facetas, fará isso, disse a socióloga Fátima Jodão, conselheira do Instituto Patrícia Galvão, organização sem fins lucrativos que luta pelos direitos das mulheres e é sediado em São Paulo (SP), durante divulgação da pesquisa na mesma cidade.
E os casos que chegam na Casa Eliane de Grammont costumam ser graves, com mulheres que sofrem violência emocional e física e até mesmo correm risco de morte. "Brincamos que este é um problema democrático, porque não afeta apenas uma classe social, faixa etária, religião ou raça", lembrou.
Tem tratamento
A dependência emocional em relação a um companheiro violento tem tratamento. "É um processo. Não acontece do dia para a noite, mas aos poucos conseguimos fazer com que essa mulher dissocie amor de violência e possessividade, porque muitas acham que são coisas relacionadas. O próprio homem acha que age por amor, por medo de perder e trabalhamos para mostrar que amor, afeto e respeito podem e devem andar juntos. Você não é do outro, você está com o outro em um relacionamento que deve ser construtivo", falou Branca.
Segundo Tatiana, as pessoas tendem a permanecer num relacionamento destrutivo, percebem que algo está errado, sentem-se infelizes, mas incapazes de colocar um ponto final. "Essa incapacidade já faz parte do problema, continuar sofrendo e infeliz num relacionamento destrutivo, mostra o quanto a autoestima da pessoa está baixa e é necessário uma ajuda profissional urgente."
Segundo a psicóloga da Casa Eliane de Grammont, nem sempre as mulheres vítimas de violência doméstica têm problemas de auto-estima. "É algo delicado. Ela não é vítima porque não se gosta ou não se acha bonita, mas sim porque não é a protagonista de sua vida. Auto-estima é diferente de passar batom ou colocar um vestido bonito, por isso não costumamos usar o termo para falar sobre mulheres que sofrem violência doméstica."
A melhor ajuda é a terapia, mas o primeiro passo é assumir que a doença existe, o segundo passo é buscar auxilio de um profissional e os grupos de apoio anônimos, como o MADA (mulheres que amam demais anônimas), o CODA (codependentes anônimos) e atualmente o HADA (homens que amam demais anônimos). "É impossível conseguir amar de forma saudável se estamos doentes, é importante manter sempre atividades que gostem de fazer e nunca abandonar nada por causa do outro, lembrem-se que o outro deve ser complemento saudável de sua vida e não o centro da mesma. Busque ajuda o mais rápido possível, amar demais é um vicio tão perigoso quanto qualquer outro e pode ser fatal", conclui Tatiana Ades.
O tratamento inclui conscientização da mulher que é vítima, por meio de terapias e aconselhamento com profissionais especializados e também da sociedade, para que o mal não volte a se repetir. 
Fonte: odia.terra.com.br

domingo, 17 de julho de 2011

CRIANÇAS CHEFES DE FAMÍLIA


Mais de 130 mil brasileiros com menos de 14 anos trabalham o dia inteiro para sustentar suas casas


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SACRIFÍCIO
Luciana e Moisés (com Peterson no colo): 11 horas
de trabalho diárias  e uma renda familiar de R$ 450
A maioria trabalha nas ruas – vende produtos de pequeno
valor, separa material reciclável, é “flanelinha” ou engraxate
As costas doem e os pés descalços latejam de frio. Mesmo assim, Luciana, 13 anos, e Moisés, 8, andam entre os carros de uma movimentada avenida na zona sul de São Paulo. Nas mãos enrijecidas pelo vento gelado, os irmãos carregam caixas com gomas de mascar, que vendem a R$ 0,10 cada. Por trás dos vidros fechados, a maioria dos motoristas ignora a presença das duas crianças, que migram para as calçadas do Largo 13, região popular do bairro de Santo Amaro. Ali oferecem sua mercadoria aos passantes que transitam entre lojas, bares e restaurantes, também sem sucesso. O trabalho na rua, apesar de difícil e ilegal, pois é vetado para menores de 16 anos, é a única alternativa para Luciana e Moisés. Com o pai e a avó materna encarcerados e a mãe desempregada, a dupla é responsável pela renda da família, cerca de R$ 450 mensais. Sua lida diária é o retrato da dura realidade de 662 mil jovens entre 15 e 19 anos e de outras 132 mil crianças entre 10 e 14 anos que são arrimo de família, segundo dados preliminares do Censo 2010 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No ano em que se comemora a maioridade do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criado em 1990, o brasileiro tem poucas conquistas para celebrar. “O trabalho infantil de exploração ou trabalho escravo tem diminuído com o crescimento das denúncias e a atuação da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, diz o advogado Ariel de Castro Alves, vice-presidente da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Porém, o trabalho infantil doméstico ou em situação de rua tem aumentado.” De acordo com pesquisa realizada em 2010 pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e pelo Instituto do Desenvolvimento Sustentável (Idest), a maioria das crianças em situação de rua vive com os pais. Do total de 23.973 jovens entrevistados em 75 cidades brasileiras, 59,1% moram com a família e 65% exercem alguma atividade remunerada nas ruas – 4,1% atuam como engraxates, 16,6% separam material reciclável, 19,7% se definem como “flanelinhas” e 39,4% vendem produtos de pequeno valor, como Luciana e Moisés. Os dois começaram a trabalhar há quatro anos. Na época, a mãe deles, Patrícia, aconselhada por uma vizinha, levou os filhos para pedir esmolas e vender chicletes numa feira livre. Voltou para casa com R$ 40 no bolso. “No começo senti muita vergonha de pedir dinheiro, mas depois me acostumei”, conta Luciana. “Só que, se vejo alguém conhecido na rua, saio correndo para me esconder”, diz a menina, revelando quanto sua condição ainda a constrange.

Luciana e Moisés são moradores do Jardim Aracati, bairro no extremo sul de São Paulo. Falta tudo no barraco onde vivem com a mãe e o irmão, Paulo Peterson, de seis meses. Luz, esgoto, água encanada e até comida parecem luxos inacessíveis. Não há nenhum brinquedo na casa. A diversão é restrita a brincadeiras nas ruas do bairro ou na hora do trabalho, quando eles encontram outros colegas que também vendem doces na rua. Geralmente, Luciana, Moisés, Patrícia e Peterson ficam nas ruas das nove horas da manhã às oito da noite. Às vezes, alguém se sensibiliza e oferece uma refeição. “Nunca digo não, mesmo que já tenha comido antes, porque a comida que sobra a gente leva pra mãe e pro Peterson”, conta Moisés, que não está estudando neste ano. Luciana está matriculada no ensino fundamental, mas pode perder a vaga, pois não comparece às aulas desde março. “Não tenho mais vontade de ir pra escola”, diz. Na sétima série, a menina não sabe ler. No horário em que deveria estudar, cuida da casa, dá banho no irmão caçula, dança funk com as amigas e assiste tevê na casa de uma vizinha. A pior lembrança de sua vida remonta à morte do irmão mais velho, Paulo, há três anos. Voltando de mais um dia de trabalho nas ruas, o garoto, com 13 anos na época, morreu ao ser atropelado por um ônibus.
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EXEMPLO
Wallace estuda, trabalha e sustenta a mãe doente e os irmãos com seu salário
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“A falta de integração entre as políticas públicas é um dos motivos que levam esses meninos a trabalhar nas ruas”, diz Marcelo Caran, coordenador da Fundação Projeto Travessia, organização que atua com jovens em situação de risco. Para diminuir o contingente de menores de idade arrimos de família, Ariel Alves, da OAB, defende duas medidas. “Em primeiro lugar, planejamento familiar. E, em segundo, a criação de programas que orientem e apoiem famílias carentes, incentivando o desenvolvimento de cooperativas e a busca por um emprego formal”, diz.

A trajetória do jovem Wallace Santos é uma prova disso. Aos 17 anos, ele enfrenta uma responsabilidade de gente grande. Às quatro horas da madrugada já está de pé. Da sua casa, um cômodo que divide com a mãe e quatro irmãos em Ferraz de Vasconcelos, município da região metropolitana da capital paulista, pega trem, metrô e ônibus para chegar até o colégio estadual onde cursa o primeiro ano do ensino médio. De lá corre para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, onde é, desde 2009, um dos contratados através da Lei do Aprendiz, que oferece estágio para estudantes matriculados na escola e em cursos profissionalizantes. Com o salário mínimo de R$ 545 que recebe, o tímido rapaz, fã de quadrinhos japoneses, desempenha o papel de principal provedor da sua família.

A mãe, Rita Dias de Matos, é uma ex-doméstica diabética, cardíaca e com pressão alta, que se viu obrigada a largar o batente há sete anos por motivos de saúde. O irmão mais velho, Wesley, 19 anos, vive de bicos e os mais novos, Bianca, 13, Washington, 11, que tem problemas de aprendizado, e Daiane, 3, passam o dia em casa com a mãe. Mas a rotina da família já foi pior. Wallace viveu dos 2 aos 8 anos de idade em abrigos, apenas na companhia do irmão Wesley. Em 2002, voltou a morar com a mãe e os outros irmãos, mas, assim como os pequenos Luciana e Moisés, teve de vender balas e fazer malabares nas ruas para sobreviver. Nas vezes em que a fome apertava, chegou a furtar alimentos. “Hoje me sinto bem por ter um emprego e ajudar minha mãe”, diz.

Apesar de comovente e exemplar, seria melhor que a história de Wallace não fosse necessária. O ingresso precoce no mercado de trabalho pode impedir uma carreira ascendente no futuro. “O jovem que hoje trabalha para sustentar sua família muitas vezes não terá emprego amanhã, pois não pôde se qualificar devidamente”, diz o advogado Alves. “Uma formação com apenas o ensino médio ou um curso técnico estará aquém das exigências do mercado.” A solução para erradicar o trabalho infantil e amenizar a carga de responsabilidade dos adolescentes que têm de sustentar suas famílias permanece longe de ser encontrada. Até lá, Luciana, Moisés e Wallace continuarão levando suas lutas diárias em busca de uma vida mais digna, mas sem planos claros para o porvir. Nenhum deles sabe o que “quer ser quando crescer”. Eles não têm desejos de consumo nem planos para o futuro próximo. As preocupações de chefes de família ofuscam os sonhos dessas crianças.  
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Fonte:
http://www.istoe.com.br/reportagens/144730_CRIANCAS+CHEFES+DE+FAMILIAS

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Indignados de todo o mundo: uni-vos!

  Por Paulo Kliass


Enquanto estiver na fase da simples negação das medidas adotadas pelos governos, não haverá tanta dificuldade quanto a partir do momento em que os indignados passem a ser chamados a dizer o que sugerem como propostas ou sugestões para uma ordem social e econômica mais justa.mundo
Até poucos dias atrás, antes da retomada da mobilização na Grécia, a bola da vez parecia estar com a Espanha. E com toda a sua rica diversidade política, cultural, social. Os gritos eram bradados em catalão, em basco, em galego, em castelhano. Da mesma forma, os escritos dos cartazes e das faixas. Talvez pudéssemos sintetizá-los todos em “Não nos representam!”.
Ao longo dos últimos meses, o cenário mundial tem apresentado algumas novidades em termos de mobilização política. Por um lado, foram todas as manifestações observadas nos países árabes e do norte da África, caracterizadas essencialmente por reivindicações de natureza democrática face a seus governos. De outro lado, tem crescido o volume dos protestos que atingiram os países europeus mais duramente afetados pelas exigências de austeridade e rigor na ortodoxia dos ajustes econômicos por parte da União Européia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Foram os casos da Irlanda, da Grécia, da Islândia. E agora, a Espanha.
Muitos analistas tentam se debruçar com mais detalhe sobre esse momento e o conjunto de tais manifestações. A primeira tentação é inescapável. Comparar o primeiro semestre de 2011 com a famosa primavera de 33 anos atrás, quando a onda de manifestações atingiu um conjunto imenso de países por todos os continentes. Protagonizado por estudantes e trabalhadores, o movimento de 1968 mobilizava multidões em cidades e regiões tão diversas quanto distantes como Paris, Praga, São Francisco, Tóquio, além das mobilizações ocorridas inclusive no Brasil, já sob o regime militar do golpe de 64.
Porém, as diferenças também são significativas. O movimento de 68 tendia a expressar mudanças em operação na base das sociedades àquela época. A pauta da nova geração falava de um novo modo de vida, apresentava a crítica ao modelo da sociedade industrial e de consumo. Denunciava as iniciativas bélicas, simbolizadas na operação norte-americana no Vietnã. “Faça amor, não faça guerra!”. As flores nas bocas dos canhões. Na pauta e na essência das manifestações, mudanças comportamentais e a liberação de costumes como as drogas, o sexo, o rock and roll. O Festival de música de Woodstock entrou para a história como um dos símbolos daquele novo tempo que se iniciava.
Nos tempos atuais, a hegemonia do pensamento liberal e a falência dos regimes dos países socialistas tornam menos evidente a aceitação generalizada dos princípios de solidariedade presentes nos movimentos de protesto. Infelizmente, ao que tudo indica, as sociedades estão mais marcadas pelo sentido da postura individual e menos para ações coletivas. E a questão comportamental parece mais influenciada pelas inovações tecnológicas proporcionadas pelos contatos via celular e internet do que pela essência das atitudes e proposições libertárias dos movimentos precedentes. Uma das principais tarefas reside na divulgação e no convencimento de outros setores sociais, bem como no combate ao conteúdo conservador dos fundamentalismos de todos os gêneros (religioso, moral, político, cultural, etc) que marcam nosso tempo.
Em meio a essa multiplicação de experiências alternativas de demonstração de descontentamento com a ordem política vigente, um antigo combatente das causas democráticas e populares resolveu também tomar a iniciativa e lançou o que imaginou que fosse sua “modesta” contribuição. Stéphane Hessel, um francês já com 93 anos, publicou em 2010 um manifesto que intitulou de “Indignez-vous!”. Transformado em livro, está batendo recorde de vendas, com mais de 1 milhão só na França. No Brasil, a Editora Leya Livros lançou uma tradução como “Indignai-vos!” Trata-se de um verdadeiro chamamento a que as gerações atuais se mobilizem e demonstrem a sua discordância com o estado atual de coisas no planeta. O autor pensava sobretudo na questão francesa face à política conservadora implementada pelo Presidente Sarkozy, mas também nas dificuldades em aceitar as medidas originadas pelas obscuras autoridades européias, sediadas em Bruxelas.
No entanto, aquilo que fora concebido como um singelo manifesto de pouco mais de 30 páginas, passa a ganhar uma dimensão política e aceitação inusitadas. Com a ajuda da divulgação proporcionada pela rede virtual, o documento ganhou o mundo. E tornou-se, aos poucos, o símbolo de um movimento que se pretende como a contraposição a tudo o que o processo atual da globalização apresentou até o momento. Um pouco na esteira do espírito altermundista e das experiências do Fórum Social Mundial, espalha-se cada vez mais internacionalmente, junto com o sentimento de que “um outro mundo é possível”. E mostra a incrível energia e disposição de quem lutou quase um século e não se acomodou!
No caso espanhol, fica visível uma negação explícita da forma tradicional das organizações políticas, partidárias e institucionais. Iniciado em Madri e Barcelona como um movimento de protesto contra as medidas restritivas de um sistema de governo (central, das regiões autônomas, das províncias e das municipalidades), seus participantes ocupam locais estratégicos e de alta visibilidade nos espaços urbanos, acampando em praças centrais. Por outro lado, a evolução da conjuntura faz com que emirja rapidamente um sentimento de solidariedade de amplos setores da população. Como se o movimento estivesse a representar alguma novidade ainda submersa na base da sociedade, não captada pelos analistas e pelos próprios ativistas.
A forma de organização é também inovadora. Ao menos nessa fase inicial, os participantes e suas lideranças não escondem que os partidos políticos, os sindicatos e demais associações tradicionais não são bem vindos. A princípio, a idéia tangencia o sentimento libertário e não se aceita a prática da representação e da delegação de poderes. As decisões são todas adotadas em reuniões abertas a todos, em uma espécie de assembleísmo permanente. Não por acaso, está sempre presente a analogia com os modelos da prática política nas sociedades antigas, como a Grécia clássica. Trata-se da busca do ideal da democracia permanente.
Ao contrário de movimentos que tiveram um início similar, os atuais tendem a contar com uma maior participação de diversos setores que não exclusivamente aquele que o imaginário popular e os meios de comunicação apresentam como a “juventude rebelde”. A própria inspiração de um combatente quase centenário como Hessel confirma essa tendência. Nas praças dos acampados e nas manifestações chega mesmo a ser emocionante verificar a solidariedade ativa de aposentados, desempregados de todas as idades, famílias inteiras, estudantes universitários, secundaristas, etc. Um intercâmbio diferente e a aceitação da construção do “novo” a partir desse sincretismo um tanto inédito. A troca de experiências entre grupos tão diversos é impressionante. De um lado, os que já viram e atuaram em não sei quantos movimentos e greves ao longo do século passado, passando pela luta na resistência contra os nazistas ou ao lado dos republicanos na guerra espanhola. De outro lado, aqueles que chegam agora com menos experiência acumulada, mas com sua força e energia políticas, e sobretudo acompanhados do potencial mobilizador oferecido pelo celular e pela rede virtual.
Um outro aspecto significativo foi a afirmação do caráter pacífico e não violento do movimento. Isso tornou-se uma expressão explícita de seus documentos e declarações oficiais, em particular depois da tentativa do sistema de inteligência espanhol de infiltrar as manifestações com supostos radicais em 15 de junho, com o objetivo de desacreditar os indignados junto à maioria da população. Para evitar esse risco, o movimento denunciou tal tentativa da polícia e reafirmou a condenação da violência extremista gratuita, como costuma acontecer em algumas manifestações dessa natureza, a partir da ação irresponsável de pequenos grupos que não representam o pensamento da maioria e só fazem isolar politicamente os movimentos.
No entanto, essas características inovadoras de tais movimentos passam a representam um limite, à medida em que as ações se ampliam e eles passam a ganhar apoio e simpatia de outros setores da população. Uma coisa é organizar acampamentos com muitas centenas e alguns milhares de pessoas. Mas quando se trata de organizar manifestações de centenas de milhares de participantes, em várias cidades espalhadas pelo país, com ações de segurança interna e outras, o movimento passa a exigir de si mesmo outro nível de organização interna e o aperfeiçoamento de mecanismos de representação institucional.
O mesmo vale para a questão política. Enquanto estiver na fase da simples negação das medidas adotadas pelos governos, não haverá tanta dificuldade quanto a partir do momento em que os indignados passem a ser chamados a dizer o que sugerem como propostas ou sugestões para uma ordem social e econômica mais justa. Sim, pois o sentimento de indignação é bastante amplo para exprimir um descontentamento com a ordem atual, mas não pressupõe a mesma unidade de ação e pensamento quanto ao como e o que fazer. Os cartazes e as intervenções tendem a apontar como responsáveis pela crise fatores amplos, que vão desde o sistema capitalista até o processo da unificação européia, passando pelo sistema político espanhol.
Há mesmo muitos intelectuais, artistas, pesquisadores e professores  que apóiam as iniciativas, mas parte deles reconhecem as limitações das mesmas. Assim, chamam a atenção para a importância do movimento, mas consideram a necessidade de alguma forma de institucionalização no plano da política (inclusive eleitoral) para tornar as propostas factíveis e viáveis. Caso contrário, os indignados correm o risco de revelarem-se mais uma excelente oportunidade de aprendizado e amadurecimento políticos para seus participantes, mas sem desaguar em nenhuma proposta efetivamente transformadora da ordem atual que pretendem mudar . Ou seja, podem entrar para a longa lista dos movimentos de protesto – importantes, sem dúvida alguma – que não lograram apresentar à sociedade uma via de implementação de suas propostas de transformação.
E que sirva como alerta para aqueles que insistem, aqui por essas latitudes mais ao sul, também em ignorar as experiências históricas e suas propostas de origem. Nos dois casos em foco na Europa, um dos aspectos mais relevantes da crítica são os cortes orçamentários para áreas sociais em contratse com o volume de recursos destinados para o saneamento financeiro, o eterno privilegiar do capital contra a maioria da população. E tudo isso sendo levado a cabo e votado nos parlamentos por governos que se dizem socialistas. Como as entidades sindicais ficaram na postura meio de peleguista de nosso conhecido “chapa-branquismo”, a onda de indignação acabou por atropelar partidos e sindicatos.
De qualquer maneira, a simples ocorrência de tais movimentos em sua seqüência atual já representam um elemento inovador na ordem política. E a facilidade com que se espalham pelos continentes faz-nos lembrar o chamamento final do Manifesto escrito por Marx e Engels há mais de um século e meio: “Indignados de todo o mundo, uni-vos!”. Afinal, não têm mesmo muito a perder a não ser a sua desilusão, o seu descontentamento e a sua frustração com a ordem atual de injustiça social, política e econômica.


Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

Combate à violência contra a mulher exige políticas públicas, diz cientista social

É necessário implantar políticas públicas voltadas à redução da violência contra as mulheres ou se continuará apenas a relatar números e dados estatísticos. Assim resumiu a cientista social Tatau Godinho, que representou a Fundação Perseu Abramo em audiência pública que discutiu o estudo “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado”, com foco na violência.
O debate foi promovido pela Subcomissão Permanente em Defesa da Mulher, que funciona no âmbito da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). A pesquisa, realizada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc), apresenta a evolução do pensamento e do papel das mulheres brasileiras na sociedade. Além da violência doméstica, o estudo abordou temas como machismo, trabalho, tempo livre, mídia, sexualidade, saúde e política.
Tatau Godinho disse que mulheres entrevistadas em todo o Brasil afirmaram sofrer violência doméstica e discriminação no mercado de trabalho. Para elas, os meios de comunicação, especialmente as novelas, incentivam o machismo e a violência contra as brasileiras. Essa violência, segundo a especialista, pode ser física ou psicológica.
De acordo com o estudo, disse a cientista, 90% dos homens consideram a sociedade brasileira machista e 74% dos deles afirmaram não se considerarem nessa condição.
Lei Maria da Penha
Apesar de a lei que visa impedir a violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei Maria da Penha – Lei 11.340/06) ser conhecida por grande parcela da população, observou a presidente da subcomissão, senadora Ângela Portela (PT-RR), os índices de violência doméstica não diminuíram. A senadora defendeu a criação de estruturas em defesa da mulher, com destinação de recursos do Orçamento da União para esse fim.
O ex-senador e presidente do Sesc-DF, Adelmir Santana, ressaltou que a pesquisa apresenta informações com abordagem política. Assim, observou, o estudo poderá servir como instrumento para embasar a apresentação de proposições em benefício das mulheres brasileiras.
Para a senadora Ana Rita (PT-ES), as políticas devem ser dirigidas também aos homens. Ela sugeriu a realização de campanhas informativas, assim como investimento em educação. Para ela, a forma como as crianças são educadas pode reforçar ou não o comportamento violento, com o que concordou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Para ele, “é na escola que começamos a ensinar machismo”.
Também a senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse que as crianças são expostas a modelos de violência. Em qualquer desenho animado, observou, os conflitos são resolvidos com violência: tapas, socos, bombas para explodir ou matar o outro. A senadora também ressaltou que historicamente as mulheres sofrem violência, o diferencial, agora, é que estão tendo coragem de denunciar seus agressores.

  Por Agencia Senado