Declaração da Coordenação do SS EAD ULBRA diante da Campanha do Conjunto CFESS-CRESS, ABEPSS e ENESSO: Educação não é fast-food!
Canoas, 16 de maio de 2011
Caros colegas assistentes sociais, tutores presenciais, alunos e demais implicados no Bacharelado em Serviço Social EAD/ULBRA. Diante da campanha acima referida, partilho as seguintes reflexões e orientações:

1 – Como assistente social e coordenador deste curso, lamento que, em pleno século XXI, os órgãos representativos da profissão ainda insistam em promover “campanhas” ao invés de promoverem a análise crítica dos fenômenos, acontecimentos  e processos com os quais interagimos e/ou somos confrontados na formação e no trabalho profissional no Serviço Social. Campanhas e documentos não estimulam o debate, nem proporcionam a análise crítica - coisa que nos orgulha na profissão. A opção pelas Campanhas e documentos costuma ser a estratégia de quem não deseja (ou tem receio do) o debate e o contraditório. Pelo contrário, busca cooptar pelo não acesso à informação e pela intimidação.
A cada dia que passa nos defrontamos com colegas assistentes sociais com “medo” de supervisionar estagiários que cursam a modalidade EAD, pois receiam “perder” sua inscrição no CRESS.  A cada dia nos defrontamos com acadêmicos EAD questionando se sua formação será aceita pelo CRESS, sendo que ela é legalmente constituída pelas instâncias governamentais.
Nenhum processo de conhecimento dialético e crítico gera medo. Nenhum espaço social e profissional onde se respeita e liberdade de escolha, o pluralismo teórico e diversidade de opções produz medo. Que realidade profissional é essa na qual, em pleno século XXI, colegas deixam de realizar o que gostariam motivados pelo “medo” das represálias dos órgãos representativos da sua profissão? Alguém ousaria afirmar que se trata de uma realidade que prima pela ética, pelo diferença, pelo diálogo, pela inclusão, pelo direito, pelo liberdade? O que gera medo, com certeza não se respalda nas categorias acima.

2 – A opção pelos “documentos” (em 2009 e 2010) e a “campanha” (em 2011) atesta o não interesse e/ou a incapacidade de promover um amplo debate sobre as contradições presentes na formação e no trabalho profissional. Em substituição ao debate acurado do processo de mercantilização e precarização, tanto da formação quanto do trabalho profissional, mais uma vez, nesta “campanha”, optou-se por identificar um autor de todos os males e mazelas: o SERVIÇO SOCIAL EAD.
Questionamentos se fazem necessários. Quais são as contradições que levaram à afirmada mercantilização e precarização no SS? Onde está a causa? Continuaremos na ingenuidade teórica em apontar apenas um “motivo”: o surgimento da EAD? Onde estão as demais categorias dialéticas que podem ampliar a compreensão da aparência e da essência desta mercantilização e precarização? A mercantilização e precarização não estão presentes na formação presencial? Onde está a análise de conjuntura e compreensão da estrutura que se constituem como paisagem da história desta mercantilização e precarização? Campanhas fazem isso? Como a EAD se constitui como estratégia de inclusão? Campanhas e documentos produzidos sem serem precedidos por amplos processos de pesquisa (com é o caso desta) constituem-se mais como “opinião” que “reflexão”, negligenciando os mais elementares pressupostos científicos.

3 – Afirmar que os documentos e a campanha são fruto de amplo debate é, no mínimo, esquizofrênico, pois em todos os eventos (regionais e nacionais) que “trataram” do tema da graduação EAD em Serviço Social, NENHUMA   mesa de debate foi organizada. Todas elas foram “estrategicamente” compostas para se falar contra a EAD. Até o momento, não encontrei nenhuma mesa que fizesse o debate. Pior, quem esteve no Seminário Nacional, no Rio de Janeiro, haverá de lembrar que a mesa “oficial” entrou em crise quando um dos preletores (assistente social com ampla produção teórica no SS) propôs um diálogo com a graduação EAD, ao invés de se insistir na apologia da resistência, sem a devida análise crítica das relações implicadas.

4 – Desde setembro de 2009, quando foi lançado o primeiro documento contrário à graduação em SS EAD, em eventos nacionais e regionais, venho pedindo que alguém me envie os dados e as categorias de análise das pesquisas que embasam estes documentos e campanhas dos órgãos representativos da profissão. Até o momento não tive acesso a nenhum deles. Refaço meu pedido: se alguém souber destes dados, por favor, me encaminhe. Se houver dados, com certeza ignoram as propostas qualificadas de graduação EAD em SS.
5 - Sinceramente, espero que os alunos do SS EAD ULBRA não pensem que pesquisa, debate, análise crítica, contradição e comprometimento ético no SS tenham algo a ver com as apologias contra a graduação EAD que caracterizam estes documentos e campanha. Pesquisa científica apresenta seus fundamentos, seus critérios, suas categorias e seus procedimentos.
Espero que o compromisso ético-profissional, tão defendido nas “mesas oficiais”, se materialize, pelo menos, na disponibilização dos dados, a fim de que o debate e o contraditório possam ser construídos. Espero que os órgãos representativos de classe não continuem acreditando que “documentos” e “campanhas” são suficientes para “calar” e “intimidar” os profissionais e acadêmicos comprometidos com a graduação EAD.

6 – Pressupor que a mentalidade de rebanho, as posturas messiânicas e o não questionamento caracterizam os alunos e profissionais da graduação EAD é, no mínimo, aviltante. Colegas e órgãos representativos, ingenuidade, ignorância e cegueira teórica não caracterizam a formação EAD, nem os sujeitos históricos que nela protagonizam!

7 - Pressupor que a ética, o comprometimento, a vida, a dignidade, a luta por justiça, que marcam formação e caracterizam os sujeitos históricos implicados na EAD, podem ser comparados com lógica mercantilista da instantaneidade do fast food, constitui-se como mais uma evidência de que a campanha desconhece completamente as propostas sérias de bacharelado em Serviço Social EAD, cujos conteúdos, estágios e TCC atendem as diretrizes do MEC e da ABEPSS. O Projeto Pedagógico, a política de Estágios, do Trabalho de Conclusão de Curso e das Atividades Complementares do SS EAD ULBRA estão disponíveis para quem desejar conhecer, desde que se disponha a compreendê-las sem antes tecer uma apologia depreciativa.

8 – Continuar com o pressuposto dos órgãos representativos de classe de que na EAD não se faz supervisão direta de estágios revela o analfabetismo digital e a resistência em negar-se a reconhecer as estratégias e possibilidades da supervisão direta virtualmente mediada nos estágios em Serviço Social EAD. Felizmente há profissionais nas diretorias de vários Conselhos Regionais de Serviço Social que não partilham desta postura e se dispõem a conhecer a lógica e seriedade da supervisão acadêmica direta virtualmente mediada nos estágios do SS EAD. Estes profissionais, assim como nós, não se negam a reconhecer as limitações ainda existentes na modalidade EAD, contudo interagem com as mesmas sem preconceitos a prioriestabelecidos e se dispõem a reconhecer as possibilidades dos processos pedagógicos virtualmente mediados, especialmente na supervisão direta de estágios.

9 – Aos profissionais e acadêmicos implicados na graduação em SS EAD da ULBRA:
- agradeço por permanecerem firmes na busca pela permanente qualificação da formação em EAD, apesar de todas as manifestações unilaterais, depreciativas e desqualificadoras dos órgãos representativas da profissão;
- reafirmo que o SS EAD ULBRA atende as diretrizes do MEC; os professores regentes, os professores tutores virtuais e os tutores presenciais SÃO ASSISTENTES SOCIAIS, devidamente formados e registrados nos seus respectivos CRESS (ao contrário da campanha difamatória dos órgãos representativos da profissão);
- destaco que no SS EAD ULBRA se realiza a supervisão acadêmica direta virtualmente mediada de estágios, cuja natureza, boa parte dos órgãos representativos se nega discutir;
- 2011 é o ano escolhido pelos órgãos representativos da profissão para lutar contra a graduação EAD em Serviço Social, portanto, não esperem espaço para debater, discutir e compreender as contradições que constituem o processo de precarização da formação e do processo de trabalho no SS, pois, para os autores destes documentos e campanhas, já está definido que a principal é a modalidade EAD na graduação;
- a estratégia de quem define de antemão um “responsável” pela mercantilização e precarização não é dialogar, mas “lutar contra”, “resistir”… o que, na prática, significa que haveremos de continuar na qualificação do nosso processo de formação em meio à resistência declarada dos órgãos da classe profissional que integramos;
- por maior que seja a resistência declarada dos órgãos representativos da profissão, ela não tem o poder de legislar sobre a modalidade EAD em Serviço Social; isso é competência do MEC, cujo Conselho, já estabeleceu a legalidade da mesma e definiu suas diretrizes;
- a Política Nacional de Estágios (PNE) publicada pela ABEPSS em 2010, infelizmente, também não constituiu nenhuma mesa que contemplasse a discussão da supervisão na modalidade EAD;
- toda a discussão partiu da postura contrária à modalidade EAD; em alguns encontros regionais foi possível (como participante do evento, não da mesa) pautar algumas questões, contudo o documento final não abriu nenhum espaço supervisão direta virtualmente mediada na EAD;
- por mais que o documento final da Política Nacional de Estágios afirme ser produto de um amplo processo de discussão, para mim, só existe discussão onde se abre espaço para a contradição dialética; e, em relação à modalidade EAD isso não aconteceu, pois já estava dado que tal modalidade não pode existir;
- mesmo sem a modalidade EAD não ser contemplada na PNE, continuaremos fazendo tudo o que for necessário e possível para atender suas exigências, contudo, respaldando-nos na Lei de Estágios 11.788/2008 sempre que se fizer necessário; e, com o mesmo afinco, lutaremos pela legitimidade dos processos pedagógicos virtualmente mediados na graduação em SS EAD;
- estamos somando forças com outras instituições que ofertam a graduação em SS EAD a fim de “provocarmos” o debate na sociedade e na profissão, bem como, articularmos os interesses e a força do corpo docente e discente do SS EAD;
- na minha modesta percepção, uma campanha, cujos autores não conseguem destinar o mínimo de tempo necessário para pesquisar e refletir seu objeto, assemelha-se muito mais a um fast food que um curso de graduação em SS EAD,  cuja matriz, projeto pedagógico e política de estágios, atividades complementares e trabalho de conclusão estão claramente definidos, e, seu processo pedagógico viabiliza a presencialidade, a espacialidade, a simultaneidade e a articulação, facultados pelas tecnologias da informação;
- sugiro que não estraguem seu bom gosto pela formação séria, permanente, crítica e comprometida se intoxicando com campanhas e documentos que anestesiam criatividade, que atrofiam a reflexão, que ameaçam ao invés de libertar, que negam a consistência metodológica peculiar da formação qualificada.

Atenciosamente,

Dr. Arno Vorpagel Scheunemann
Coordenador do Serviço Social EAD- ULBRA
Portaria 843/09