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domingo, 31 de julho de 2011

A perversidade do racismo

Palavra racismo escrita em branco, sobre fundo preto, dentro de um circulo vermelho, com uma linha transversal vermelha tachando a palavra.
No momento em que o IBGE divulgou sua pesquisa sobre a identidade dos brasileiros, duas outras notícias colocaram em evidência a perversidade com que na sociedade capitalista é encarada a distinção étnica e cultural entre os povos. Na Itália, a eleição da brasileira Silvia Novais como Miss Itália Nel Mondo provocou uma enxurrada de manifestações racistas na internet, postadas por direitistas partidários da supremacia branca e europeia adeptos de Adolf Hitler, que não suportam negros, árabes, judeus, imigrantes e outros seres humanos que não têm as suas origens étnicas, seus preconceitos e seus interesses.

Esta intolerância encharcou de sangue o solo de Oslo, capital da Noruega, onde um criminoso assassinou com um atentado a bomba e a tiros 76 pessoas, na maioria jovens, que estavam em um evento do Partido Trabalhista, de esquerda, que comanda o governo do país.

As referências ao Brasil, nestes dois episódios, são diretas e interligadas. As ofensas contra Silvia Novais estão ligadas à cor escura de sua pele. E o assassino de Oslo, no prolixo e insano manifesto de mais de 1.500 páginas que postou na internet para justificar seus crimes, citou explicitamente o Brasil como um exemplo dos “malefícios” da mestiçagem, causadora de corrupção, improdutividade e do choque cultural.

É preciso refletir sobre isso. A pesquisa divulgada pelo IBGE, que cumpre compromissos firmados pelo Brasil na 3º Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada na África do Sul, em 2001, tem o enorme mérito de desmentir mais uma vez as alegações racistas da direita, europeia ou não, de dar números oficiais à denúncia do racismo no Brasil, e também de ressaltar a importância e o avanço da convivência, num mesmo espaço nacional, de diferenças que compõem o amplo mosaico representado pela unidade do povo brasileiro.

Quase dois terços dos brasileiros (63,7%), diz a pesquisa, reconhecem a existência de racismo no Brasil e indicam onde ele se manifesta de maneira mais intensa e perversa: no trabalho (71%), na relação com a polícia ou a justiça (68,3%), no convívio social (65%), na escola (59,3%) e nas repartições públicas (51,3%).

É uma chaga que se perpetua; é o ovo da serpente do racismo que recusa a convivência com aparências diferenciadas e pode matar, como já ocorreu no passado, e repetiu-se em Oslo na sexta-feira. Somos os habitantes de um país encarado pelos supremacistas eurocêntricos como racialmente inferior que, nas condições atuais do mundo, faz parte do conjunto de nações que ameaçam o predomínio do “Ocidente” – isto é, de países como Estados Unidos ou daqueles que formam a União Europeia.

Talvez o maior mérito da pesquisa seja constatar que crescentemente os brasileiros assumem positivamente a miscigenação; metade dos entrevistados se autodefinem como “não brancos” (48,4%), ao lado de outra metade que se declara “branca” (incluindo minorias que se descreveram como alemãs, italianas ou “claras”). Isto é, metade da população encara-se como mestiça, usando o critério tradicional brasileiro de classificação, que é a cor da pele.

Exames de origem, baseados na análise genética, como aqueles feitos pela equipe do pesquisador Sérgio Penna, indicam uma mestiçagem maior e mais disseminada, revelando que, no Brasil, apenas um terço daqueles que se declaram “brancos” são realmente de origem europeia exclusiva. E também que os brasileiros de pele escura, mestiços, trazem no DNA também os sinais de antepassados europeus. Isto é, no Brasil misturamos todas as origens, dando origem a um povo com características peculiares, nem superior nem superior aos demais povos, com suas próprias manifestações culturais múltiplas e também miscigenadas, marcas da origem diversificada de nossos formadores.

Nas relações internas, como nas que o povo brasileiro estabelece com o exterior, é necessário observar que o racismo está associado à dominação de classe e ao imperialismo neocolonialista. A superação da intolerância racista e o estabelecimento de relações fraternas no seio do povo e entre povos são objetivos associados à luta pela conquista de uma nova sociedade e um novo padrão civilizacional.

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