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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

"Percepções sobre a violência doméstica contra a mulher no Brasil 2011"


Para exigir das prefeituras mais investimentos em equipamentos públicos especializados no atendimento à violência doméstica, foi feita uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon. De acordo com Jacira Melo, fundadora do Instituto Patrícia Galvão, responsável pelo planejamento, implantação e análise do estudo, o objetivo é aprofundar o conhecimento sobre o tema "violência contra a mulher", buscando dados concretos que servirão de base ao combate mais efetivo deste tipo de crime.
Para ela, é preciso que sejam adotadas medidas urgentes e a principal delas é a construção, pelos municípios, de centros de referência no atendimento à mulher vítima de violência. "O investimento público está muito aquém da demanda social e a principal atitude precisa ser tomada pelas prefeituras. É por isso que estamos apresentando nossos resultados às autoridades municipais", revela Jacira.
Com o nome de "Percepções sobre a violência doméstica contra a mulher no Brasil 2011", o questionário identificou que 80% da população já reconhecem como agressão doméstica os diversos tipos de violência física sofridos no âmbito familiar, desde o empurrão até atos extremos, que podem levar à morte. 
Para garantir privacidade e liberdade nas respostas referentes às experiências, em fase da pesquisa, o entrevistado preencheu o questionário e o depositou num envelope não identificado. Os resultados apontaram que 27% das mulheres admitiram ter sofrido algum tipo de agressão grave, sendo que para 48% delas, o principal motivo foi o ciúme, a mesma explicação dada por 38% dos homens que se declaram agressores. 
 
Confira a entrevista com Jacira Melo, na qual ela comenta os resultados da pesquisa, os avanços na luta contra a violência e o que ainda precisa ser feito. Os dados fazem parte de um estudo de abrangência nacional, realizado com 1,8 mil pessoas, entre homens e mulheres, em 70 municípios das cinco regiões do Brasil.
Qual o principal objetivo da pesquisa?
Promover o debate que possa abranger a dimensão cultural da sociedade, buscar uma mudança de comportamento e cobrar uma resposta mais forte do Estado, seja ela no atendimento às vítimas ou nas medidas de prevenção. Quanto mais a sociedade mostrar censura, reprovação e exigir respeito mútuo entre homens e mulheres, mais ela irá caminhar para a diminuição dos casos de violência.
Como o Estado tem combatido a violência contra a mulher?
Quando há uma percepção tão aguda da sociedade, como a que esta pesquisa demonstra, os políticos costumam ficar mais sensíveis. A aceitação pelos municípios ainda é muito lenta, mas sinto que estamos avançando. O Brasil demorou muito para se posicionar nesta questão. A Lei Maria da Penha, um marco na nossa luta, só foi criada há cinco anos. Com isso, o Estado deu um grande passo, mas falta agora dar uma resposta mais efetiva, introduzindo o tema nas áreas da educação e da saúde, levando as discussões às escolas e realizando medidas para conscientização das crianças.
Primeiramente, qual deve ser o foco para combater este tipo de violência?
O poder público. É preciso que se construa mais equipamentos, faça mais investimentos e dê uma resposta à população que esteja à altura do problema. No Brasil, nós temos apenas 190 centros especiais de atenção à mulher que fazem atendimentos social, psicológico e de orientação jurídica. Isso tudo para mais de 5 mil municípios. Temos somente 72 casas abrigo, que é o lugar onde a mulher é levada em casos extremos de ameaças de morte. As 466 delegacias especializadas do País também não são suficientes. Os governos estaduais e federal devem repassar recursos, mas quem deve cuidar é a Prefeitura, já que é o órgão mais próximo destas vítimas. Antes de a mulher se decidir se vai ou não à delegacia, é importantíssimo que ela possa contar com um equipamento de apoio. A mulher não é uma unidade, a decisão dela envolve diversos fatores, como a existência da família e a educação dos filhos. 

 Como a senhora avalia os resultados desta pesquisa?
Agora sabemos que 80% da população, entre homens e mulheres, já reconhecem diferentes formas de agressão como sendo violência doméstica. Até há pouco tempo, quando se falava no assunto, o pessoal pensava em agressões físicas ou coisas piores. Agora, um empurrão, um tapa, um chute ou um soco já são vistos como algo inaceitável. O reconhecimento de agressões verbais como forma de violência por 62% dos entrevistados também mostra que homens e mulheres estão entendendo mais sobre este problema. A violência que aparece nas estatísticas é a que chega às delegacias, mas ela não começa desta forma mais grave, geralmente se inicia com uma simples falta de respeito. De modo geral, pudemos demonstrar que há um debate maior sobre o tema e este é um achado importante.
A pesquisa demonstra que 94% das pessoas conhecem a Lei Maria da Penha. O que, na sua opinião, tornou isso possível?
Mesmo que não profundamente, esta é a Lei mais conhecida do País. É comum agora as pessoas brincarem com os homens mais machistas dizendo para tomarem cuidado com a Maria da Penha. Esta Lei contribuiu muito para dar visibilidade ao problema, que já era bem sério. Ela permitiu que a sociedade tivesse uma visão crítica a respeito deste ato. A mídia também tem colaborado muito para isso, tornando os debates cada vez mais presentes na vida da população. Recentemente, nós tínhamos uma campanha para a televisão que dizia "onde tem violência todo mundo perde". Isso é verdade, porque perde quem apanha, perde o filho e perde o próprio homem agressor.
Há alguma camada da sociedade que sofre mais com o problema?
A violência doméstica está presente em toda sociedade. A única diferença é que a mulher de baixa renda fica isolada, contando apenas com o apoio do Estado. Ela sofre um tipo de violência mais danoso por estar mais desprotegida. Já a de classe média ou alta tem o apoio da família, recursos próprios para buscar apoio psicológico e jurídico, sem depender da máquina pública.
Fonte: http://odiariodemogi.inf.br/

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